Dados divulgados nesta quinta-feira (12/9) mostram melhora na atividade econômica, no mês de julho, no setor de serviço, com expansão de 0,8% com relação a junho, segundo o IBGE; e na demanda por produtos de bens industriais, que registrou aumento de 2,6% entre junho e julho, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esta semana, o IBGE também divulgou que, em julho, as vendas do varejo aumentaram 1% na comparação com junho.  No entanto, ainda não é possível contar com um segundo semestre mais dinâmico, embora especialistas vejam sinais de consistência, principalmente com relação a serviços e a comércio.

Economistas de instituições financeiras, consultados pelo Banco Central, e divulgados no último boletim Focus, esta semana, reduziram as previsões para inflação, de 3,59% para 3,54%, mas mantiveram a projeção para o resultado do PIB, em 0,87%, para este ano. O próprio secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, na terça-feira, disse que agosto ainda terá resultados tímidos, por encerrar “um ciclo extremamente difícil”  da economia, embora o governo conte com resultados melhores a partir de setembro.

De acordo com os números do IBGE, o crescimento de 0,8% em serviços entre junho e julho é o maior desde dezembro, mas ainda está 11,8% abaixo do resultado alcançado em maio de 2014 e 1,2% menor do que em dezembro do ano passado. Os serviços também aumentaram em comparação com o mês de julho de 2018 (1,8%), com crescimento em quatro das cinco atividades que compõem o quadro da pesquisa e em 54,8% dos 166 serviços.

Indústria

O Indicador do Ipea de Consumo Aparente de Bens Industriais, que apontou crescimento de 2,6% em julho, considerou o desempenho da produção industrial interna, descontadas as exportações e acrescidas as importações. Comparada com julho de 2018, a demanda por bens industriais avançou 1,2%, enquanto a produção industrial recuou 2,5%.

Para o professor de economia do Ibmec de Belo Horizonte, Glauber Silveira, a melhora nos setores de serviços e nas vendas do varejo pode ser um indicativo de uma retomada próxima da produção industrial. “Em momentos de estagnação, a indústria começa a formar estoques, portanto, serviços e comércio começam a reagir antes, ao consumirem produtos de estoque, e as indústrias demoram mais tempo para retomar a produção, que depende mais da confiança”, disse.

Segundo boletim do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi),  os indicadores de estoques vêm mostrando, nos últimos meses, um acúmulo “indesejado”. O Indicador de estoques da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atingiu, em julho de 2019, o maior nível desde maio de 2018, já que 67% dos ramos da indústria declararam ter acumulado estoques maiores do que o desejado, o que pode refletir, ainda, uma nova redução da produção em agosto, como previu Sachsida.

Para Silveira, porém, para que a retomada seja consistente, é preciso que haja sinais positivos com relação às reformas econômicas, para gerar confiança entre os investidores. “Já há sinais de aprovação da reforma da Previdência, mas não com relação à reforma tributária. Quanto mais ruído político, mais os investimentos se retraem”, disse.

Fonte: Correio Braziliense