Roberto Campos Neto também admitiu a lenta recuperação econômica brasileira com crescimento do PIB de 1,1%

O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, disse durante a Conferência Anual sobre Macroeconomia e Estratégia, Goldman Sachs Brasil, que o cumprimento das reformas sociais são necessárias para manter a inflação em baixo nível. “A aprovação e a implementação das reformas, notadamente as de natureza fiscal e de ajustes na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos”, disse. Além disso, Neto confirmou a lenta recuperação econômica do país.

De acordo com o presidente do BC, a economia sofreu diversos choques ao longo de 2018. Para ele, a atuação “firme e transparente do Banco Central foi fundamental para a manutenção da funcionalidade de nossos mercados e amorteceu os impactos desses choques sobre os preços”. Para ele, isso permitiu a consolidação da inflação em torno da meta e a ancoragem das expectativas de inflação; a consolidação das taxas de juros em níveis historicamente baixos; e a sustentação do processo gradual de recuperação da economia.

Neto afirmou que a inflação se mantém em torno da meta estipulada pelo Banco Central. “No cenário com trajetórias para a taxa de juros e de câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,9% para 2019 e 3,8% para 2020. No cenário com taxa Selic constante em 6,50% a.a. e taxa de câmbio constante a R$3,85/US$, as projeções para a inflação do Copom situam-se em torno de 4,1% para 2019 e 4,0% para 2020”, argumentou.

A recente decisão do Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom) decidiu por manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5%. De acordo com Neto, aumentar ou diminuir a taxa pode trazer riscos para a economia do país. “O cenário básico para a inflação envolve fatores de risco em ambas as direções”. “Por um lado, o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro, uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”, explicou.

Durante explanação no evento, Neto também defendeu o desenvolvimento do mercado de capitais. “Nesse aspecto, as medidas de ajuste fiscal também podem contribuir. Colocar as contas públicas em uma trajetória equilibrada, atravpes de um ajuste fiscal e de uma reestruturação patrimonial, gera efeitos multiplicadores sobre um mercado de capitais”, analisou. Para ele, isso deve trazer maior diversificação e um número maior de transações.

Agenda BC+
O Banco Central se prepara para uma agenda de mudanças na estrutura do sistema fiscal do país, a chamada Agenda BC . “Essa é uma agenda dinâmica, aperfeiçoada de modo permanente, cujas ações, conduzidas de modo sinérgico e integrado, contribuem para que o BCB cumpra a sua missão de manter a solidez e a estabilidade do sistema financeiro”, disse.

Um dos objetivos com a agenda é proclamar a democracia financeira. “Essa democratização é fundamental para ampliar o provimento de recursos para o setor produtivo em condições justas e gerar benefícios para todos os brasileiros”, informou. A ideia é avançar em várias direções e dar foco ao mercado de capitais.
Fonte: Correio Braziliense