A terceirização de serviços teve um aumento na Região Metropolitana de Campinas (RMC), segundo dados da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), a partir de levantamento feito a pedido do Correio Popular. De acordo com a avaliação feita pelo economista da Acic, Laerte Martins, de janeiro a maio deste maio, o trabalho intermitente ou tempo parcial respondeu por 11,5% do total de mão de obra da RMC, o que corresponde a aproximadamente 1.245 terceirizados em Campinas e região.
“Houve um aumento. No ano passado, a estimativa percentual no mesmo período foi de 9,3% de trabalho intermitente e tempo parcial”, compara Martins. Muitas empresas de diferentes ramos e portes estão descobrindo as vantagens da terceirização, entre elas a possibilidade de ampliar a inovação e a qualidade de serviço, tanto em áreas operacionais, administrativas ou técnicas mais especializadas.
“Além de reduzir custos, de ter um serviço com qualidade, de inovação e especializado, o empresário também ganha mais tempo para focar nas estratégias e desenvolvimento do seu negócio, como nas vendas e marketing, pois desonera a atividade operacional contratando uma empresa especializada”, explica a gerente de desenvolvimento de novos projetos da DVZ Consultoria, Bruna Santos.
A diretora de recursos humanos da multinacional francesa Pochet do Brasil, Karla Poltronieri, localizada em Jundiaí, utiliza os serviços terceirizados há dois anos, que considera como sendo algo promissor com a nova Lei da Terceirização e Reforma Trabalhista (13.467), ambas aprovadas em março 2017.
“Antigamente não poderia terceirizar quase nada, hoje pode terceirizar praticamente todos os processos dentro de uma empresa, o que liberar as pessoas-chave para outros projetos estratégicos. Acredito que a tendência é aumentar cada vez mais esse tipo de serviço terceirizado com um respaldo legal”, diz Karla.
“Logo no começo achei estranho, mas estou recebendo os mesmos direitos como se estivesse efetiva numa empresa. Tenho carteira assinada, vale transporte e outros benefícios. Com o desemprego em alta, acho que a terceirização ajuda na recolocação no mercado”, diz a auxiliar de produção na Pochet há um ano, Sirlei Job, de 41 anos.
Independentemente da forma da contratação terceirizada, não se apagam os direitos dos trabalhadores previstos na Constituição Federal de 1988 e na CLT — Consolidação das Leis do Trabalho.
“As empresas devem atentar para os artigos 3º e 9º da lei trabalhista, onde estão os requisitos necessários para caracterização de uma relação de emprego e a imposição de nulidade de qualquer ato praticado com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos ali contidos”, diz o especialista e mestre em direito do trabalho, Luciano Dal Forno Rodrigues.
Fonte: Correio Braziliense