As principais instituições que precisam ser administradas são as firmas do setor de prestação de serviços

A descentralização é o melhor princípio do desenho organizacional quando for adequada. Mas as especificações para sua aplicação são bastante rígidas. Ela funciona bem no tipo de empresa para a qual foi originalmente concebida: a indústria manufatureira, com mercados específicos para linhas distintas de produtos. Também se adapta perfeita ou adequadamente a algumas empresas não-manufatureiras. Mas não cabe às indústrias de processamento (por exemplo, alumínio ou aço), onde um mesmo processo gera uma grande variedade de produtos para uma infinidade de mercados sobrepostos.

Como resultado de experiência acumulada, buscam-se novos princípios do planejamento e estruturação organizacional, ainda bastante experimentais: a equipe de força-tarefa, a descentralização simulada e a organização sistêmica. Ainda estão longe de ser satisfatórios. Mas seu aparecimento revela uma grande necessidade de novos modelos de estruturação organizacional.

Sabe-se que o modelo que o boom administrativo julgou ser universal é tão somente parcial, e inclusive nem é mais o modelo dominante. o boom foi, em todos os setores, baseado no trabalho feito pelas, e nas empresas manufatureiras -aquelas com essencialmente um só produto ou linha de produtos, que operam num mercado nacional e que utilizam predominantemente o trabalho manual. O modelo, em outras palavras, era a General Motors Company (GM).

Cada vez mais, as principais instituições que precisam ser administradas e organizadas – mesmo no setor empresarial – não são as indústrias de manufatura, não são as empresas com um único produto que operam num só país ou mercado, nem são companhias que utilizam principalmente o trabalho manual. São as firmas do setor de prestação de serviços – estabelecimentos bancários e varejistas, e também as chamadas não-empresas, tais como hospitais e universidades. São todas instituições de muitos produtos, tecnologias e mercados.

São empresas multinacionais. E, cada vez mais, os recursos humanos fundamentais não serão os trabalhadores manuais – especialistas ou não – mas os trabalhadores intelectuais: presidentes de empresa, programadores de computadores, engenheiros, tecnólogos médicos, administrador hospitalar, vendedores, analistas de custos, professores, e toda a classe média assalariada com boa instrução, que se tornou o centro de gravidade populacional de todos os países desenvolvidos. Em outras palavras, o modelo de ontem vai se tornando menos e menos pertinente. Entretanto, atualmente, ainda não foi encontrado um novo modelo. É aquela história: “O velho já morreu mas o novo ainda não nasceu” (Gramsci). Outras informações podem ser obtidas no livro: Fator humano e desempenho, de autoria de Peter F. Drucker.

Fonte: Administradores