RIO —  A taxa de desemprego no Brasil recuou para 11,8% em julhodeste ano, de acordo com números da Pnad Contínua do IBGE . No período de fevereiro a abril de 2019, que serve como base de comparação para este indicador, o desemprego era de 12,5%. O número de pessoas sem trabalho recuou de 13,1 milhões para 12,6 milhões nesse período.

Os economistas consultados pela Agência Bloomberg estimavam que o desemprego em julho ficaria em 11,9%.

A quantidade de trabalhadores que trabalham por conta própria atingiu novo recorde na série histórica da Pnad. Na comparação de abril com julho deste ano, o aumento foi de 1,4%, o que representa um ingresso de 343 mil trabalhadores nesta forma de trabalho.

Quando a comparação é feita com julho do ano passado, o aumento é mais expressivo ainda. Em um ano, 1,2 milhão de pessoas passaram a trabalhar por conta própria.

A quantidade de pessoas desalentadas, aquelas que não procuram trabalho porque acham que não vão encontrar vagas ou porque acreditam serem pouco qualificadas para voltar ao mercado, ficou estável, de acordo com o IBGE. Em abril, eram 4,87 milhões nesta situação. Em julho, 4,83 milhões, o que representa um recuo de 0,9%.

Trabalho informal sobe 3,9%

Outro recorde na série histórica da Pnad é em relação ao trabalho informal. O número de empregados sem carteira assinada subiu 3,9% na comparação trimestral: de 11,2 milhões para 11,6 milhões.

Na comparação anual, julho de 2019 contra julho de 2018, o aumento foi de 5,6%: de 11 milhões para 11,6 milhões.

O dado corrobora para a leitura de que o mercado de trabalho segue absorvendo trabalhadores por meio de vagas de menor qualidade, o que também explica a alta recorde no número de trabalhadores por conta própria.

De acordo com a compilação do IBGE, dos 93 milhões de brasileiros empregados, 38 milhões são informais. Esta parcela de informalidade representa 42,3% do total de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em julho.

Para chegar a este quadro, o IBGE agrupou os seguintes grupos: empregado no setor privado (excluindo os domésticos) sem carteira assinada, trabalhador doméstico sem carteira, trabalhador por conta própria sem CNPJ, empregador sem CNPJ e trabalhador auxiliar familiar.

– O que se observa é uma transferência dentro do mercado de trabalho. As pessoas estão saindo da desocupação e migrando para a subocupação – destaca Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Os especialistas em mercado de trabalho destacam que a recuperação lenta do emprego formal está associada à falta de investimentos por conta da economia que ainda não cresce de forma consistente e linear.

Na véspera, o IBGE divulgou os números do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao segundo trimestre do ano. A economia avançou 0,4% , ante um recuo de 0,1% nos três meses anteriores. Embora com um número positivo, os economistas destacaram que a alta é modesta e deixa o Brasil em linha com um crescimento de, no máximo, 1% neste ano.

Semana passada, o Ministério da Economia divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a julho deste ano. O país criou 43.820 vagas com carteira assinada, o quarto mês seguido de saldo positivo na criação de empregos formais no país. Em julho de 2018, 47.319 empregos formais foram criados.

A diferença entre Caged e Pnad é que o primeiro mensura apenas trabalhos formais, com carteira assinada. Já a Pnad avalia tanto o trabalho formal quanto o informal.

Fonte: O Globo