Cada vez mais empresários buscam terceirizar serviços para reduzir despesas e garantir Mão de obra especializada

Contratar uma empresa para realizar algum tipo de serviço em outra empresa tem se tornado uma prática comum. Além das grandes empresas, a terceirização de uma atividade pode ser o melhor caminho também para as micros e pequenas empresas que encontram nessa atividade uma possibilidade de contratação de mão de obra especializada e redução de despesas. Na hora de decidir terceirizar, o empresário deve fazer um planejamento e estar atento ao que determina a legislação.

Atualmente, é proibida a terceirização nas atividades-fim da empresa, que são as atividades principais descritas na cláusula objeto do contrato social. Já as atividades-meio, que são aquelas não essenciais da empresa, são passíveis de terceirização. Em uma loja que vende roupas, por exemplo, é possível terceirizar o serviço de limpeza, mas não o de vendas. Em uma fábrica, pode-se terceirizar o corporativo, segurança e limpeza, mas não terceirizar os operários de fabricação. Em uma empresa de segurança, não se pode terceirizar os vigilantes.

“Desde que seja algo planejado e com o devido acompanhamento, a terceirização pode ser vantajosa para empresas de todo porte. Nas pequenas e microempresas por exemplo, é muito comum terceirizar a contabilidade, uma vez que não há recursos suficientes e, muitas vezes, não há necessidade de se estruturar uma área interna.

Atualmente, com o crescimento do segmento de terceirização, os empresários já estão olhando além, e levantam questões importantes, como, por exemplo, por que não ter sistemas mais robustos? Áreas de recursos humanos estratégica? Custos, controladoria e relatórios gerenciais? Com a terceirização, essas oportunidades que a princípio ficavam restritas às grandes empresas, passam a ser viáveis aos pequenos e médios empresários”, explica Samuel Lopes, sócio da Consultoria Tiex Serviços Corporativos.

Suelenn Douetts de Araújo, de 33 anos, é proprietária da loja de calçados femininos SUF Shoes, na Candangolândia, e terceiriza o serviço de limpeza das vitrines por achar mais prático. “Com o serviço terceirizado, só me preocupo com o atendimento ao cliente”, afirma ela, que só vê vantagem. “É um serviço esporádico em que não me preocupo em ter que contratar uma pessoa fixa. Dessa forma, não onera os custos da empresa”, explica a empresária, que também pensa em terceirizar os serviços de entrega. “Existe muita demanda de serviço pela internet e às vezes não consigo entregar pela falta desse serviço”, afirma.

De acordo com Edgar Segato Neto, presidente da Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviço de Limpeza e Conservação (Febrac), terceirizar hoje é viável e compensador para qualquer empresa, de qualquer porte.

“De uma microempresa até as grandes compensa sim a terceirização, porque não dá mais para você ser neste mundo globalizado um generalista e entender de várias áreas. Então se você quer que o seu negócio prospere, tem que ser feito de forma modular”, diz.

O empresário Leonardo Guerra, de 41 anos, possui uma franquia e é franqueador regional da RE/Max. Nas duas empresas, ele terceiriza alguns serviços como os de fotografia, motoboy, marketing e assessoria jurídica, e só consegue ver vantagens nas escolhas.

Entre elas estão a melhor qualidade nos serviços prestados a custo mais baixo, além de poder focar seu trabalho na atividade-fim da empresa. “Eu não vejo desvantagem. A grande questão é qualificar bem o prestador de serviço. A desvantagem poderia ser você contratar uma empresa que não tem expertise ou que não vai agregar nada. Mas acredito que hoje todas essas áreas de terceirização têm boas empresas e bons profissionais prestando serviço de muita boa qualidade”, afirma.

Desde que abriu a empresa em Brasília, o serviço de motoboy é terceirizado, o que diminui bastante o custo. Segundo ele, se fosse manter um funcionário para realizar esse serviço, teria custos como pagamento de um salário–mínimo, todos os encargos, alimentação, vale-transporte, entre outros. “Claro que depende muito do volume de negócios, mas um serviço que não seja atividade-fim da empresa, é bastante razoável que seja terceirizado, porque você otimiza. A empresa prestadora de serviço terceirizado consegue oferecer um serviço melhor a um custo mais baixo, porque ela otimiza todas as outras entregas que precisa fazer”, explica.

Sócio-proprietário da AIS Altran, empresa da área de Tecnologia da Informação, Emmanuel Stephane Orillard, de 41 anos, oferece mão de obra terceirizada e também contrata serviços terceirizados. “Temos duas atividades. Uma de prestação de serviços e outra de terceirização”, explica ele, destacando que, no caso da terceirização, o cliente define um perfil de pessoa que precisa e a empresa busca esse perfil para enviar ao cliente. “Contratamos a pessoa por meio da CLT normalmente. Ela é funcionária da nossa empresa e disponibilizamos essa pessoa para a outra empresa durante um tempo para exercer atividades na área de tecnologia, como desenvolvimento de software, consultoria sobre uso de tecnologia, entre outras”, destaca.

A AIS funciona em Brasília há mais de 15 anos atendendo empresas de diversas áreas, como financeira, seguradoras, montadoras de carros. Nos últimos anos, houve aumento na procura pelos serviços de terceirização. “Eu diria que é uma tendência forte porque ela oferece bastante flexibilidade e também agilidade para a empresa.

As empresas que disponibilizam esse tipo de serviço, de recursos terceirizados, estão sempre buscando os melhores perfis no mercado e, quando uma empresa precisa de um perfil bem definido, de uma forma rápida, você garante um recurso de boa qualidade em pouco tempo e durante o tempo que você quiser. É muito flexível”, afirma.

DICAS

Para o consultor Samuel Lopes, da Tiex Serviços Corporativos, o empresário que quer contratar serviços terceirizados deve ficar atento a algumas questões, como cotar e avaliar os melhores custos-benefícios e buscar empresas sérias. Ele considera fundamental não se limitar aos prestadores de serviços locais.

“Nós vivemos em um mundo globalizado e temos que ter a mente aberta a novas possibilidades. Hoje muitas empresas crescem, porém continuam buscando contadores especializados em microempresas, por exemplo, para terceirizar a contabilidade por conta da proximidade física, quando, na verdade, tem pouco ou nenhum contato presencial”.

Fonte: Revista Fecomercio-DF